A historia da Moita vai de par com a da freguesia de Moledo, concelho de
Castro-Daire.
A sul e sudeste da vila de Castro Daire, de que dista oito quilómetros, confrontando com os limites dos concelhos de S. Pedro do Sul e Viseu, estende-se por uma área de 4 383 hectares, que abrange os seguintes lugares principais: Adenodeiro, Água de Alte, Balteiro, Casais do Monte, Cela, Coura, Covelo de Paiva, Lamas,
Moita, Nogueirinha, Quinta da Clara, Quinta da Corte e Vila Meã. Sendo a segunda freguesia em território, é a terceira em população, no todo do concelho. A freguesia tem 2 500 habitantes.
Moledo está situada "em um baixo, entre montes ao redor com outeiros levantados e agrestes, cobertos de matos de urzeira, carquejas, medronheiros e giestas, e cheios de pedras que em algumas partes são fragas grandes, e são terras incultas, com mais de meia légua de largueza sem cultura" escrevia o abade da freguesia, de 1758, que caracteriza ainda aqueles lugares como "terras miseráveis, de pouca cultura", cortadas de serras onde vagueavam lobos, raposas e texugos.
O cultivo era então muito reduzido: ao longo dos poucos ribeiros, trigo, centeio, milho, a castanha, algum vinho verde, "mas tudo em pouca abundância, que não chega para sustento dos moradores".
Pouco mais de duzentos anos à frente, já Alberto Correia ("Castro Daire Roteiro Turístico") caracterizava assim a freguesia:
"Moledo, aldeia que se estende ao longo do vale abrigado entre as serras de S. Lourenço, ao nascente, e a de S. Salvador, mais a poente".
A igreja matriz de Moledo é um excelente monumento em cantaria talhada dos finais do século XVIII. O estilo é o rococó e o prospecto exterior salienta-se pela torre cimeira adoçada à esquerda do corpo principal. No interior, destacam-se três retábulos em talha dourada e uma imagem policromada seiscentista, em pedra d'ançã, representando Nossa Senhora de Moledo.
Outras capelas existem nos lugares de Coura e de
Moita. A primeira é da invocação de Nossa Senhora da Conceição, integrada num ambiente característico pela sua arquitectura de grossos blocos graníticos.
A segunda, na Moita, é dedicada a S. Francisco, o protector das raparigas solteiras. Ali, um bonito alpendre abriga o púlpito em pedra. Quanto ao pitoresco lugar de Lamas, é assim descrito por Alberto Correia, a quem de novo recorremos:
"Lamas fica sobre plaino desabrigado e soalheiro. Há um espaço de cultivo basto, há longos bardos de videiras. (...) É um mundo de granito fortemente presente nos muros de habitações, nos cômoros de suporte, nas paredes que limitam os caminhos vicinais. (...) Em Lamas há uma gigantesca pedra, classificada como imóvel de interesse público, com uma inscrição cujos caracteres estão gravados em latim e dialectos celtas. A sua natureza é de ex-voto, expressão de vontade de dois romanos, Rufino e Tiro, que sacrificaram a um deus desconhecido".
Este território teve, de facto, ocupação remotíssima, e a presença romana está claramente documentada. À vista de Lamas, o ponto mais alto (a 785 metros) de um outeiro a que, em tempos, chamaram castelo de Menha ou castelo de Maga, e hoje conhecido como serra ou alto de Maga, está coroado por um castro em que, cerca de 1630, Manuel Botelho Ribeiro descortinava "vestígios e sinais de muros de pedra tosca com sua barbacã, onde estava o presídio romano, por onde podiam passar os exércitos seguramente, ajudados do socorro daquele forte". O mesmo autor escreve, a respeito do outeiro de S. Lourenço: "Outro havia mais notável, que estava adiante no mais alto desta serra, e chama-se hoje S. Lourenço, porque esteve no meio dele a ermida deste santo que se mudou depois para o lugar de Casais do Monte, que está perto. Este outeiro foi murado em redor com pedra tosca de quinze palmos de largura, cheio ainda e arrasado de terra. Tinha barbacã, e o castelo mais alto era em uma rocha".
Moledo pertenceu ao antigo concelho de Mões até à extinção deste, em 24 de Outubro de 1855. Passou desde então a integrar o concelho de Castro Daire. Nos dias de hoje, a maioria da população activa da freguesia dedica-se predominantemente à agricultura, ao comércio, à exploração de pedreiras e à avicultura. Qualquer destas actividades mantém ocupada muita mão-de-obra: a agricultura continua a absorver bastante gente; a avicultura, revelando-se bastante compensadora, levou à proliferação de aviários; as pedreiras, entre Cela e Lamas, exploradas quer por empresários locais quer por firmas vindas de longe, têm sido fonte de bom rendimento.
De grande representatividade são também as actividades ligadas à madeira, aliás a exemplo do próprio concelho que encontra na serração de madeiras a sua principal indústria. A grande transformação tecnológica deu-se com a chegada da máquina a vapor, já em meados deste século.
A primeira serração mecanizada de Moledo, foi instalada em 1965 no lugar da Moita. Uma "Clayton", com um motor acoplado de 45 cavalos, passou a fazer girar as serras. Em 1974, a máquina a vapor seria substituída por um motor a diesel e mais tarde iria parar à sucata, mas o motor primitivo, permanece na fábrica como símbolo de uma tecnologia passada.